Prof.JORGE LUIZ M MUNIZ
     



BRASIL, Nordeste, FORTALEZA, FATIMA, Homem, de 46 a 55 anos, Portuguese, English, Livros, Arte e cultura
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Gramática e Linguagem

Continuação

 

A tradição gramatical descarta, mas não apenas o sujeito que se “oculta”, e há sempre uma determinação discursivo-textual no modo de preenchimento dos termos que se constroem com um verbo. Estudos feitos com diversas línguas, inclusive com o português, mostraram que, em orações que têm objeto direto, é raro que os dois termos, sujeito e complemento, sejam representados por um sintagma nominal, e isso porque ao fluxo formativo do discurso não convém que se introduzam dois elementos “novos” simultaneamente.

Além disso, existindo esses dois termos em uma mesma oração (o que não é, no geral, o caso dessa fábula), é muito mais freqüente que o sujeito, e não o objeto direto, apareça representado por pronome pessoal, porque geralmente o sujeito é um elemento já dado ou conhecido no texto, e o objeto direto traz a informação nova. É importante, portanto, que haja uma “descrição” desse elemento que é a novidade, descrição de que dá conta um substantivo, nunca um pronome pessoal. Trata-se, pois, de escolhas pragmáticas de padrões sintáticos, as quais dependem do fluxo de informação no discurso. Nas construções transitivas, há uma pressão da continuidade tópica do discurso, que leva ä manutenção de protagonistas, o que dispensa novas menções com núcleo substantivo ns sujeitos, mas não nos objetos diretos, mais variados, porque mais freqüentemente introdutores de elementos novos. Mas nada disso pode ser oferecido em aulas rituais de gramática, como se tudo na produção dos enunciados fossem fórmulas prontas. Na nossa fábula, por exemplo, os sujeitos se referem quase exclusivamente à rã e ao boi, e, entretanto, não há nenhum “sujeito oculto” ou sujeito pronominal. Lobato insistiu em sintagmas nominais, e isso não é pobreza, como poderia concluir um leitor desavisado. Pelo contrário, há evidente obtenção de efeitos de sentido dirigida por boas escolhas: em primeiro lugar, o padrão que serviu em geral à nossa narrativa não foi o de orações com objeto direto (aquelas em que a eficiência provada é de sintagmas nominais como complemento) e, em segundo lugar, fica evidente que determinações do todo do texto dirigiram as escolhas.

O que vale, portanto, não é sair à caça de formas “ocultas”, mas entender e sentir que foi que se conseguiu, no texto, “ocultando”- ou não – essas formas.

Em última análise, lendo o que escreveu Maria Helena, verificamos que há uma necessidade premente de um estudo aprofundado das teorias do discurso, tão bem escritas por Baktin e consequentemente da disciplina Lingüística Aplicada.

 

 



Escrito por Jorge Luiz Malkomes Muniz às 13h12
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Gramática e Linguagem

Continuação

Vamos a um texto, a fábula de Monteiro Lobato A Rã e o Boi, que assim se inicia:

Tomavam sol à beira de um brejo uma rã e uma saracura. Nisto chegou um boi, que vinha para o bebedouro.

Nesse primeiro parágrafo introduziram-se as personagens, como ocorre na estrutura canônica das fábulas. Trata-se de um ponto em que é necessária a identificação da natureza das personagens que se alterarão na seqüência das falas subseqüentes, e, alternando-se na fabulação:

- Quer ver, disse a rã, como fico do tamanho deste animal?

- Impossível, rãzinha. Cada qual como Deus o fez.

- Pois olhe lá! Retorquiu a rã estufando-se toda. Não estou “quasi” igual a ele?

- Capaz! Falta muito, amiga.

A rã estufou-se mais um bocado.

- E agora?

- Longe ainda!...

A rã fez novo esforço.

- E agora?

- Que esperança!...

A alternância da fala e das ações das personagens é percorrida com facilidade pelo leitor, porque Lobato repete o sujeito a rã quatro vezes. Servindo ao sentido da peça, ele pretere a saracura, só usando esse substantivo quando apresenta a situação, e nunca o retomando durante o texto. Ora, a saracura (embora pressuposta como invejável, tanto que a rã quer chegar a ser como ela) é personagem secundária, coadjuvante, de tal modo que ela não entra nem no título ou no desfecho, pois é à rã que o boi traz a sua sentença: Quem nasce para dez réis não chega a vintém.

Antes dessa “moral” da fábula, há ainda dois últimos parágrafos que se iniciam, respectivamente, com os sujeitos a rã e o boi, as duas personagens que dão título à fábula e formam o seu eixo:

A rã, concentrando todas as forças, engoliu mais ar e foi-se estufando, estufando, até que, plaf!

O boi, que tinha acabado de beber, lançou um olhar de filósofo sobre a rã moribunda e disse:

- Quem nasce para dez réis não chega a vintém.

Por outro lado, em nenhum momento é usado o expediente de “ocultar” o sujeito nem é usado o pronome pessoal como sujeito. Em alguns pontos, a forma “ela”, ou a ausência de qualquer forma (sujeito oculto), levaria ao perigo de mais de uma interpretação. Em outros pontos seria mais evidente a referência à rã, mas de algum modo a leitura estaria perturbada, porque a saracura continuaria candidata a preencher o lugar.

 

Não só o sujeito se oculta

 



Escrito por Jorge Luiz Malkomes Muniz às 13h11
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GRAMÁTICA E LINGUAGEM

Apesar de ser a Lingüística disciplina obrigatória nos Cursos de Letras, e mesmo nos CLE’s (Curso de Licenciatura Específica - Língua Portuguesa), pouco se tem estudado em termos de lingüística aplicada, aplicada ao ensino da língua. A Lingüística Aplicada é a área de pesquisa que está diretamente relacionada à resolução de problemas práticos na realidade, a lingüística das sociedades. É necessário esclarecer que quando falo de Lingüística Aplicada, não estou me referindo à aplicação das teorias lingüística. Refiro-me à busca de soluções para problemas de caráter prático que venham a surgir na linguagem. Esta é uma disciplina que tem a praticidade como principal papel.

 

            Então escreve Maria Helena de Moura Neves, no texto Um personagem revelado:

- “Saber responder que o sujeito oculto da oração “andou de bicicleta” é “ele” ou “ela” não significa saber nada sobre língua ou linguagem. Vou escrever para aqueles que, em uma aula de gramática, já tiveram a tarefa de encontrar esse sujeito que alguém, não se sabe por quê, “ocultou”. Encontrado um pronome pessoal (eu, ele) que volte a ocupar seu lugar junto ao verbo, fica considerado que se aprendeu tudo o que se tinha de aprender sobre “sujeito oculto”.

O que faço – escreve Neves - não é uma crítica, nem à denominação da entidade nem aos professores que cumprem esse ritual. Apenas abro uma reflexão sobre os procedimentos tradicionais de tratamento da gramática na escola.

É normal que qualquer pessoa considere que uma entidade rotulada como “sujeito oculto” tenha as propriedades significadas nessa expressão. Aí poderíamos até cobrar que “sujeito não-expresso” seria um nome mais exato, mas não é o nome que tem levado um trabalho tão mecânico e ineficiente. Então, mantenhamos o rótulo e vamos à essência. Porque, de fato, saber responder que o sujeito oculto da oração “andou de bicicleta” é “ele” ou “ela” não significa saber nada sobre língua ou linguagem.

Em primeiro lugar, “ocultar”, ou não, o sujeito (ou qualquer outro termo “ocultável”) não é nenhum joguinho ativado para que alguém consiga encontrar a peça faltante e se sinta vencedor. O jogo da linguagem é alguma coisa que faz parte de tudo o que as pessoas fazem na vida e da vida, de como elas se apresentam, pedem e dão, definem os outros e se definem, modificam os outros e se definem, modificam os outros e se modificam, enfim, cada peça do jogo é essencial no todo da interação e da co-participação, e, por isso, a movimentação de cada peça é sempre uma escolha. Aqui n nosso caso: deixar um sujeito não-expresso, colocar como sujeito um sintagma nominal menino), ou um pronome (ele), tudo representa escolha, e sempre com razões e conseqüências.

 

Lobato e a rã

 Continua



Escrito por Jorge Luiz Malkomes Muniz às 13h09
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Por Leonardo Gomes em e-mail para o grupo portugues@grupos.com.br

ADOLESCENTE

A juventude de mil ocupações.

Estudamos gramática até ficar zonzos.

A mim me expulsaram do quinto ano e fui entupir os cárceres de Moscou

Em nosso pequeno mundo caseiro

brotam pelos divãs poetas de melenas fartas.

Que esperar desses líricos bichanos?

Eu, no entanto, aprendi a amar no cárcere.

Que vale comparado com isto a tristeza dos bosques de Boulogne?

Que valem comparados com isto

suspirosante a paisagem do mar?

Eu, pois, me enamorei da janelinha da cela 103

da "oficina de pompas fúnebres

Há gente que vê o sol todos os dias e se enche de presunção.

Não valem muito esses raiozinhos dizem.

Eu, então, por um raiozinho de sol amarelo dançando em minha parede teria dado todo um mundo.

Vladimir Maiakóvski, poeta comuna, que foi fustigado pelos camaradas de PC (Partido Comunista) por não querer enquadrar-se no besteirol rasteiro da poesia dita "proletária", sabia de cátedra que o dom artístico não se produz, não se vende e nem se compra em qualquer esquina, seja de Moscou ou de Fortaleza, no Ceará. A poesia, colegas, nasce nas esquinas obscuras da alma, nas encruzilhadas lúgubres do espírito. Poesia é mistério, um enigma da língua. E ele, Maiakóvski, pagou com a própria vida por essa sua teimosia lírica, preferindo o suícidio do corpo ao suicídio maior, o do alma, o da estética. Queriam-no um vulgarizador; ele se fez esteta da simplicidade; queriam-no um provinciano do partido; ele se fez universal dos oprimidos. Os comunas queriam-no um poeta chão, povão, revolução. Mas ele se sabia um poeta céu, um poeta estrela, um poeta coração, ainda que em favor de uma ilusão (comunismo).

Não se aprende poesia em Manuais de versificação ou em livros de gramática. Já dizia Maiakóvski: "A poesia é uma forma de produção. Dificílima, complexíssima; porém produção." Os ideais revolucionários não impediram o poeta alçar vôos mais altaneiros. Escreveu para o povo com os instrumentos lingüísticos herdados dos clássicos. Tornou-se um artista moderno. Foi um poeta-comunicador.

Sua arte nascia de sua cultura pessoal mediatizada pela ideologia, pela sua utopia. Se a revolução criou novas regras de convivência social, a arte deveria fazer o  mesmo. "Eu não forneço nenhuma regra para que uma pessoa se torne poeta e escreva versos. E, em geral, tais regras não existem. Chama-se poeta justamente o homem que cria estas regras poéticas."

Foi preciso Maiakovski dar cabo à própria vida para que a "poesia" sobrevivesse no pântano tenebroso da Revolução Comunista. Os burocratas do partido (esses mesmos que destruíram o PT ) não precisavam de um artista. Queriam um propagandista-poeta; porém Maiakovski era um poeta-propagandista. Não dava para conviver com a mediocridade comunista. Preferiu o silêncio.....O silêncio de que nos fala Paulo Leminski no poema que segue:

LÁPIDE 1
   epitáfio para o corpo

    Aqui jaz um grande poeta.

    Nada deixou escrito.

    Este silêncio, acredito,

    são suas obras completas.

       
 


Escrito por Jorge Luiz Malkomes Muniz às 21h40
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Para meus alunos

Se...

Se eu pudesse deixar algum presente a vocês, deixaria o acesso ao sentimento de amar a vida dos seres humanos, principalmente, dos seus alunos.

Se eu pudesse, deixaria a vocês, a consciência, a consciência para "fazer ruas com pedrinhas de brilhante, e seus alunos passarem".

Se eu pudesse deixar algum presetne a vocês, deixaria a consciência de aprender, de crescer, de transformar, de ler tudo o que foi ensinado pelo tempo afora e durante os momentos em que tivemos juntos, em nossos cursos, nossas aulas!

- Lembraria os erros que foram cometidos, de ambos os lados, para que não mais repetíssemos.

Deixaria, a capacidade de escolher novos rumos...

Deixaria para vocês, se pudesse, o respeito àquilo que é indispensável:

Além do pão, o trabalho, além do trabalho, uma visão livre, sem paradigmas, com ação e com ética.

E quando tudo mais faltasse, um segredo: O de buscar no interior de si mesmo a resposta e a força para encontrar uma saída, porque vocês são... e sempre serão uns vencedores!

Acredito no sol mesmo quando não está brilhando;

Acredito no amor mesmo quando não o sinto;

Acredito em Deus mesmo quando Ele está calado...

Acredito em V O C Ê S...

Profº Jorge Luiz Malkomes Muniz, inspirado em Mahatma Gandhi

 



Escrito por Jorge Luiz Malkomes Muniz às 00h31
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